Na minha avaliação, 2025 foi um ano de revelações. Pessoas que estiveram ou ainda estão no poder, representantes da população nos mais diversos níveis, eleitos ou indicados por eleitos, nas esferas municipais, estaduais e federal, mostraram, de uma maneira ou de outra, suas verdadeiras faces, suas intenções, seus interesses. Alguns exemplos: Jair Bolsonaro, que afirmava ter nojo das pessoas que defendem os direitos humanos, quando se tornou condenado — ou até mesmo antes da condenação — passou a apelar justamente para a utilização desses mesmos direitos humanos. O mesmo Bolsonaro, juntamente com sua família, que sempre defenderam a tortura e os torturadores e até declararam ser um absurdo a prisão domiciliar, são, hoje, os que mais reivindicam “direitos”.

Bolsonaro, que longe de Alexandre de Moraes o ofendia e o acusava, quando colocado frente a frente com o ministro se acovardou, chegando a convidá-lo para ser seu vice, de maneira patética. Pior ainda foi quando Bolsonaro revelou o que pensa das pessoas nos quarteis, seus apoiadores, chamados por ele de “loucos”.

Para ficar ainda na família, Eduardo Bolsonaro, em pleno mandato concedido pelos eleitores de São Paulo, viajou para os Estados Unidos e lá se instalou para tentar influenciar o presidente Trump a intervir negativamente no Brasil, atitude que poderia prejudicar gravemente a economia e toda a população brasileira. Um absurdo – mas que revelou, afinal, que patriota ele não é!

Ficamos sabendo também que o núcleo da tentativa de golpes planejava assassinar o presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes. Bolsonaro havia indicado muitos militares para cargos de confiança em seu governo e penso que essa já era uma estratégia para obter apoio das Forças Armadas em um golpe, no caso de derrota eleitoral…
Pela primeira vez na história, generais de quatro estrelas foram parar atrás das grades.

Para além dos Bolsonaro, é lamentável que boa parte dos eleitores brasileiros tenham eleito esses parlamentares que mostraram suas faces nesse ano, defendendo interesses dos mais ricos, das elites, dos próprios interesses e até tentando se blindar e blindar bandidos. O projeto desses parlamentares parece ser o de enfraquecer as instituições, livrar-se de investigações e massacrar ainda mais a classe trabalhadora.

Indo para o campo sindical, mais especificamente para a categoria da alimentação, seguimos trabalhando de forma unificada — confederações, federações e sindicatos — para garantir direitos e avançar em conquistas. No entanto, temos um grande desafio para 2026: unificar as nossas lutas com as demais entidades de categorias profissionais e com as centrais sindicais, para juntos, fortalecermos a ponte com as bases e levarmos a consciência política da necessidade de reelegermos o presidente Lula e equilibrarmos a composição da Câmara Federal e do Senado em 2026.
E também lutar pelo fim da Escala 6×1.

Para alcançarmos essa unidade, todas as lideranças precisam ter consciência de que a manutenção dos direitos trabalhistas e sociais depende da democracia. Para avançarmos, precisamos estar unidos: sindicatos, federações, confederações e centrais, com foco na conscientização política para alcançarmos a justiça social.

Não é possível continuarmos convivendo com tamanha concentração de renda. O Brasil é hoje a oitava maior economia do mundo e, ao mesmo tempo, o oitavo país com a maior concentração de renda. A partir de 2026 vamos lutar para mudar isso!

Artur Bueno de Camargo – Presidente