
A Assembleia Legislativa do Paraná ficou tomada por lideranças sindicais, sociais e estudantis que, ao lado de especialistas e parlamentares, participaram da Audiência Pública que debateu o fim da escala 6×1, com redução de jornada de trabalho, sem redução de salário. O evento, promovido pela Bancada de Oposição da ALEP, formada por deputados do PT e do PDT, aconteceu na terça-feira (10), e teve cerca de 600 participantes no plenário enquanto milhares acompanharam pelos canais oficiais, redes sociais e pelo Youtube. A discussão dos efeitos da carga semanal de 44 horas, em seis dias trabalhados consecutivos, com apenas um dia de descanso, sobre a qualidade de vida, convivência familiar e bem-estar físico e mental dos trabalhadores foi intensa e produtiva. A audiência também serviu para ampliar o debate sobre experiências internacionais de reorganização do tempo laboral.
“Foi um evento fantástico e muito importante”, pontuou Artur Bueno de Camargo, presidente da CNTA – Confederação Nacional dos Trabalhadores da Alimentação, que compôs a mesa e fez uma fala elogiada (assista aqui). “A escala 6×1 massacra os trabalhadores e está há vigor há tanto tempo que já passou da hora de ser modificada. Tivemos avanços na tecnologia, nos processos industriais, na otimização do trabalho, muita coisa mudou nos últimos quarenta anos e não podemos aceitar mais que o trabalhador cumpra essa jornada extensa sem o mínimo de tempo para o descanso, a família, o lazer, os estudos”, diz.

“O trabalho é um instrumento para sobreviver, não para se viver em função dele”, disse o deputado Arilson Chiorato, do PT. Segundo ele, a audiência pública na ALEP pretende ampliar sobre o tema no estado do Paraná e fortalecer a pressão para que o Congresso Nacional vote a proposta do fim da 6×1. Ele destacou que os trabalhadores submetidos à escala estão entre os que recebem os menores salários do país. E são os que mais adoecem.
O presidente da CUT – Central Única dos Trabalhadores do Paraná, Márcio Kieller, destacou que o fim da escala de trabalho 6×1 é uma reivindicação histórica dos trabalhadores brasileiros, “uma bandeira do movimento sindical”.
O secretário regional para a América Latina da UITA – União Internacional dos Trabalhadores da Alimentação e Agricultura, Geraldo Iglesias, afirmou que o fim da escala 6×1 é uma medida urgente e necessária, sobretudo diante das condições enfrentadas no setor frigorífico, que, apesar de ser um dos maiores fornecedores de proteína do mundo, também registra elevados índices de doenças ocupacionais entre os trabalhadores. Segundo ele, reduzir a jornada é fundamental para proteger a saúde e garantir melhores condições de trabalho.

Sidney Machado, professor de Direito do Trabalho da UFPR, destacou que “hoje cerca de 73% das pessoas defendem a redução da jornada”.
“Se a população quer, tem que exigir que o Congresso aprove”, diz Artur Bueno de Camargo. “Os parlamentares são os representantes do povo, então se é isso que o trabalhador quer, é isso o que ele tem que ter!”.
Josimar Cechin, presidente da CONTAC – Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores da Indústria da Alimentação também compôs a mesa e falou sobre a urgência da aprovação do fim da 6×1.

A audiência pública teve a participação de representantes de diversos segmentos e pode ser assistida na íntegra aqui.