A unidade da classe trabalhadora e social com as suas representações, que souberam trabalhar de forma integrada na mobilização, ganhou espaço virtual e presencial, focado na redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salário, com o fim da escala 6×1 e 2 folgas semanais.

É importante lembrar que a jornada de trabalho de 40 horas semanais é uma pauta da classe trabalhadora que o movimento sindical vem defendendo antes mesmo da Constituição Federal de 1988. Não conseguimos na Constituinte as 40 horas, mas conseguimos reduzir de 48 para 44 horas semanais.

Após 38 anos, com uma composição da Câmara Federal em que a maioria dos deputados e deputadas é contra os direitos básicos da classe trabalhadora e às políticas sociais, a mobilização não deixou espaço para que as narrativas dos parlamentares defensores do capitalismo selvagem, e das entidades que eles representam, prevalecessem.

CNTA presente na votação, salvem companheiros Silvano e Ricardo, de Jaboticabal!

Os argumentos dessa gente se esvaziaram, pois não condiziam com a realidade. Exemplos: “as empresas vão quebrar”, “este projeto é populista”, “esta pauta precisa ser pela negociação”, “deixem mais para frente”, “não é o momento”, “tem que ter um tempo maior”.

O argumento de que “as empresas vão quebrar” foi usado no fim da escravidão, na proibição do trabalho de menores, na Constituição de 1988, no 13º salário, nas férias de 30 dias com um terço em pagamento, na multa de 40% sobre o valor do FGTS quando o trabalhador é demitido sem justa causa.

É interessante pensar no argumento de que “o projeto é populista”, pois quando se trata de um projeto que favorece o capital e prejudica os trabalhadores, aí então ele não é considerado populista.

O argumento de que “esta pauta precisa ser pela negociação” também é curioso, porque essa gente nunca quis negociar redução da jornada de trabalho. Agora que sentiram o poder da mobilização, lembram que existe negociação.

O argumento de que “tem que deixar mais para frente”, “não é o momento agora”, “tem que ter um tempo maior” também chama atenção. Quando, nos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, retiraram direitos dos trabalhadores e flexibilizaram a CLT, essa gente entendeu que era o momento adequado para o Congresso aprovar.

Dizer que precisa “de mais tempo”. Ora, 38 anos não é tempo suficiente?

Companheiros e companheiras, o resultado obtido na Câmara Federal deve, e merece, ser comemorado. Tanto pelo resultado da votação, quanto pela demonstração de que os movimentos sindicais e sociais estão vivos e são capazes de destruir narrativas falsas e demagogas, daqueles que só defendem interesses próprios e das grandes corporações.

Agora, a nossa luta e mobilização é no Senado. Precisamos cobrar a aprovação da PEC (Projeto de Emenda Constitucional) sem alteração da forma em que foi aprovada na Câmara, pois, se houver alteração, o projeto terá que voltar para Câmara, para que sejam votadas as alterações.

Precisamos falar com os 81 senadores, pedir para os deputados federais, que votaram pela aprovação, falarem com os senadores de seus partidos. Da mesma forma, vamos pedir também para os deputados estaduais, vereadores, trabalhadores e trabalhadoras.

Vamos manter nossa luta e mobilização, assim, nossa vitória virá por completo, brevemente.

Artur Bueno de Camargo
Presidente