Conforme prevíamos, 2025 não foi um ano fácil para as organizações sindicais de trabalhadores.

Apesar de termos eleito um Presidente da República oriundo do movimento sindical, infelizmente a maioria dos deputados federais e senadores eleitos é contrária ao fortalecimento das representações sindicais de trabalhadores.

Apesar de todas as dificuldades, com muito esforço, conseguimos fazer boas negociações coletivas de trabalho, na maioria delas alcançando aumento real de salário, acima do INPC, entre outros benefícios.

Também houve algum avanço na questão do financiamento das entidades sindicais, advindo do STF – Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a constitucionalidade da contribuição assistencial de todos os trabalhadores, independentemente de serem ou não associados ao sindicato, com garantia de oposição, sem definir critérios. Nós entendemos que a decisão é da assembleia.

Ainda para além de todas as dificuldades, conseguimos aprovar dois projetos de lei na Comissão de Trabalho da Câmara Federal: um deles regulamenta a representação das Entidades de Movimentadores de Mercadorias, que deve passar a representar especificamente os trabalhadores avulsos; e outro que defende a redução da jornada de trabalho, sem redução de salário, para 40 horas semanais no setor de frigoríficos.

Vale ressaltar que, para os trabalhadores em frigorífico, nós apresentamos uma proposta de proteção às trabalhadoras gestantes do setor.

Realizamos, em parceria com a CONTAC e com a UITA, 22 reuniões virtuais, cinco presenciais e duas audiências públicas.

Individualmente, a CNTA realizou oito reuniões virtuais, doze presenciais e participou de cinco audiências públicas.

O trabalho do dia-a-dia foi intenso, seja na comunicação, no administrativo, no jurídico ou no fazer da política sindical em 2025. Esboçamos aqui um pequeno resumo a guisa de prestação geral de contas.

E para 2026, quais são as prioridades?

Além de intensificar o trabalho do dia a dia, precisamos viabilizar a aprovação, no Congresso, dos dois projetos aprovados na Comissão de Trabalho. Além viabilizar a aprovação da proposta de proteção para gestantes nos frigoríficos.

Também é necessário aprofundar o debate da redução da jornada de trabalho, sem redução de salário, com o fim da escala 6X1, para toda a classe trabalhadora.

Porém, todas as nossas lutas e conquistas só terão sustentabilidade e abrirão a possibilidade de avançarmos se formos capazes de eleger e reeleger candidatos e candidatas comprometidos com a democracia e as demandas da classe trabalhadora, tanto para os cargos executivos como para os legislativos.

Nós já conhecemos, na prática, a política perversa praticada nos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, tanto contra o movimento sindical e a classe trabalhadora, como contra a Cultura e a Educação.

A maioria dos parlamentares, durante esses três anos, só defendeu interesses próprios e da classe rica. Quando votaram a favor de alguma pauta social, foi por pressão popular ou em troca de favorecimento de emendas, muitas vezes sem transparência na prestação de contas da utilização das mesmas.

Não queremos voltar ao passado e nem reeleger ou eleger candidatos e candidatas que não tenham compromisso com a democracia, com o meio ambiente, com a Cultura e Educação, com soberania do nosso país…

Precisamos de pessoas nos poderes executivos e legislativos que defendam a pauta do fortalecimento da estrutura sindical, com a valorização dos trabalhadores e trabalhadoras.

Nós, que fomos eleitos para representar uma das categorias profissionais mais importantes, os trabalhadores nas indústrias de alimentação, temos todas as condições para organizar frentes nacionais, estaduais e municipais junto aos companheiros e companheiras de entidades de outras categorias e das Centrais Sindicais de trabalhadores para nos unirmos.

Juntos, levaremos propostas da classe trabalhadora para os candidatos e candidatas aos cargos executivo e legislativo, podendo, assim, alcançar a verdadeira defesa da democracia e a valorização dos trabalhadores e trabalhadoras.

Artur Bueno de Camargo – Presidente da CNTA