
Quando buscamos informações referentes à jornadas de trabalho em outros países, passamos a ter a dimensão da incoerência das narrativas daqueles que se posicionam contra a mudança no Brasil, utilizando até mesmo sensacionalismo.
Os argumentos por eles utilizados não se sustentam; a realidade fala mais alto.
Seja por uma dívida que o capital tem para com a classe trabalhadora, que vem se acumulando há 38 anos, desde 1988, quando houve a última redução da jornada de trabalho, passando de 48 horas para 44 horas semanais; seja pelo direito da classe trabalhadora de obter um tempo maior para ficar com sua família, dedicar-se a um esporte, passear, praticar exercícios e cuidar da saúde ou simplesmente descansar – utilizando esse dia a mais para fazer o que quiser.
Com o mínimo de coerência, os representantes das entidades patronais, juntamente com os defensores do capital, em vez de ficarem tentando convencer os parlamentares a desidratar a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) no Senado, aprovada, amplamente, pela maioria na Câmara Federal, deveriam ocupar esse tempo para procurar e discutir com as entidades de trabalhadores, finalmente, a aplicação da escala 5×2.
Não consigo compreender por que toda essa apelação para querer travar um processo tão natural em um país capitalista, com o mínimo de senso de desenvolvimento. Com a crescente deficiência de mão de obra nas empresas, a redução da jornada de trabalho, com duas folgas semanais, será um atrativo para superá-la.
Essa gente do contra precisa refletir melhor e entender que o Brasil é o maior exportador de proteína animal e grãos. Empresas que mantêm trabalhadores sem condições dignas não conseguem desenvolver seu potencial, e isso se reflete na produtividade e na qualidade, prejudicando a competitividade no mercado globalizado.
Portanto, patrões, parem de dificultar. Deixem os senadores aprovarem a PEC e vamos iniciar as negociações para a implantação da escala 5×2, para o bem-estar da classe trabalhadora, melhorando, assim, o setor produtivo e o desenvolvimento do país.
Artur Bueno de Camargo – Presidente