
Primeiro, é preciso reconhecer que Maduro não comprovou, de fato, sua reeleição à presidência da Venezuela. O Brasil questionou e pediu provas sobre o pleito – quando não as obteve, Lula não declarou reconhecimento do resultado. No entanto, ainda que fosse este o real motivo, nada legitima uma intervenção militar dos Estados Unidos, com bombardeios, invasão do território, mortes de pessoas inocentes e a captura do presidente venezuelano. A ausência de comprovação da legitimidade eleitoral não autoriza, em hipótese alguma, ações dessa natureza. Existem órgãos e fóruns internacionais competentes para o debate e a mediação de conflitos políticos, que devem ser respeitados. Nenhum país tem o direito de, por decisão unilateral, violar a soberania de outro.
Na minha opinião, Donald Trump nunca esteve e não está nem um pouco preocupado com a legitimidade democrática na Venezuela. O perfil do presidente Trump está muito distante dos valores democráticos, como ficou claro ao não aceitar o resultado das eleições em que foi derrotado e ao incentivar a invasão do Capitólio, episódio que resultou em mortos e feridos.
Trump escolheu um caminho de governo baseado na truculência, na violência e na demonstração de força militar, um caminho que, além de perigoso para o planeta, não se sustenta a longo prazo. Escolheu governar com a demonstração de poder, mas não do poder democrático: o poder de armamentos, ditatorial, passando por cima até das instituições de seu próprio país.
É evidente que a articulação entre países com grande poder econômico e estratégico — como China e Rússia, grandes consumidores do petróleo venezuelano, e o Brasil, com enorme potencial de produção agrícola — especialmente no âmbito do BRICS, abre possibilidades de grandes investimentos na América Latina e em países em desenvolvimento. Esse cenário representa uma ameaça direta aos interesses geopolíticos defendidos por Trump.
Por fim, não posso deixar de lamentar e repudiar manifestações de parlamentares comemoraram a invasão dos Estados Unidos, mesmo diante das mortes, destruições de residências e ferimentos causados. Tal ação poderia ter resultado em uma tragédia ainda maior, caso houvesse uma resposta militar.
Alguns parlamentares chegam a clamar para que esta atitude monstruosa e ditatorial seja praticada também no Brasil. Parlamentares eleitos democraticamente, que juraram defender a Constituição e honrar a pátria brasileira, precisam responder por atos irresponsáveis que afrontam a soberania, a democracia e a vida humana. E ainda se dizem patriotas.
Artur Bueno de Camargo – Presidente