O resultado do primeiro turno das eleições desse ano, que elegeu deputados federais, estaduais, 2/3 do Senado, boa parte dos governadores e presidente da República, alertou a maioria dos eleitores, ativistas e muitas pessoas que há algum tempo não participavam mais do processo eleitoral: havia um risco de perdermos nossa soberania e a própria Democracia.

Interessante notar que a iniciativa espontânea de um grupo de estudantes da cidade de Niterói (RJ), de ocupar as ruas da cidade, foi o estopim para despertar, em outras cidades, movimentos estudantis com igual entusiasmo.
A sociedade foi se engajando, se organizando e ocupando as ruas de forma contagiante, crescente. O segundo turno se aproximava – e o risco também. Mas faltava dominar as redes sociais.

Surge André Janones, deputado mineiro reeleito, que dentro do Congresso sempre defendeu com muita firmeza as demandas da classe trabalhadora e os direitos sociais, sempre com muita energia, disposição e um tom de voz empolgante. Pregando um otimismo contagiante, fez viralizar nas redes sociais a palavra “explode”.
Era o que faltava para a maioria dos eleitores passar a participar do processo de campanha e entender que a disputa do cargo presidencial deixava de ser apenas entre dois candidatos.

A opção pela reeleição de Lula era salvar a democracia, a soberania, os direitos trabalhistas e sociais, manter os avanços conquistados e a liberdade de poder dar continuidade nas lutas para alcançar novas conquistas.

O resultado não poderia ser outro: Lula reeleito, vai governar o Brasil pela quarta vez. O que podemos aprender com esse segundo turno da eleição 2026? Que a Democracia não é perfeita, mas é o melhor mecanismo que existe para o povo fazer valer suas escolhas. Que o voto muda as coisas, que é importante e que todos devem exercer esse direito duramente conquistado.

Penso que os movimentos espontâneos deram um recado para todas as organizações, sejam os partidos políticos, entidades sindicais ou organizações civis, de uma forma geral. Por mais que estas instituições tenham contribuído muito, não tiveram protagonismo. Isso é bom? Ou ruim? Depende. Se autossustentar é bom, mas e a defesa das causas menores?

Poderíamos dizer que o protagonismo foi do candidato Lula, eu não tenho nenhuma dúvida, mas este mérito é pelo que o seu governo fez. Quem irá canalizar os feitos de Lula para potencializar e se apresentar, em condições, de garantir liderança em 2030?
Penso que a sociedade organizada precisa iniciar com urgência uma discussão política objetivando a regimentação dentro das organizações nos municípios, para eleger pessoas com propostas sustentáveis nos municípios nas eleições em 2028, com projetos para 2030.

Esta é a minha avaliação e conclusão, com todo respeito à discordância.

Artur Bueno de Camargo – Presidente