Um levantamento feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgado, nesta terça-feira (5/6), aponta que o manuseio impóprio de fogos de artifício levou aos hospitais mais de cinco mil pessoas entre os anos de 2008 e 2017. O estudo é uma parceria das Sociedades Brasileiras de Cirurgia da Mão (SBCM) e de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e serve de alerta sobre os riscos de acidentes e queimaduras durante as festas juninas e as festividades ligadas à Copa do Mundo. Amanhã (6) é o dia Nacional de Luta contra queimaduras.
 
Segundo o Sistema de Informação Hospitalar (SIM), nos últimos dez anos 5.063 pessoas foram internadas para tratamento por acidentes com fogos de artifício. No período analisado, o ano de 2014 foi o que registrou o maior número de acidentes. Os dados coincidiram com a Copa do Mundo daquele ano e, segundo a pasta, pode ter motivado o aumento no número dos acidentes.
 
O estado da Bahia é o que aparece com o maior número de casos. São 1037 no total. Em seguida, vem os estados de São Paulo, com 962 casos, e Minas Gerais, com 701 internações. Entre os estados com menor número de notificações estão Roraima, com 17, Tocantins e Acre, com apenas 14 internações.
 
Na avaliação por município, Salvador lidera o ranking das cidades com o maior número absoluto de acidentes com fogos de artifício: 686 internações ao longo da década. Em outras palavras, pelo menos um em cada dez acidentes acontece em Salvador. Em segundo lugar aparece a capital paulista, com 337, seguido por Belo Horizonte, com 299. 
 
No perfil dos acidentados, os homens representam a maioria dos registros no período analisado: 4.245 internações, número que representa 83% do total de casos. As mulheres representaram apenas 17% das ocorrências, com 853 internações.
 
Em média, são registradas nos serviços públicos de saúde cerca de 80 internações no mês de junho. “Se considerarmos que em algumas regiões as festas juninas têm início nas quermesses de maio e vão até julho, podemos verificar que um terço de todas as hospitalizações acontecem apenas neste período de 90 dias. É preciso, portanto, ter cautela no manuseio desses fogos, sobretudo promovendo ações de proteção às crianças”, afirmou Carlos Vital, presidente do CFM.
 
Nos últimos 21 anos, o Brasil registrou aproximadamente dez mortes a cada ano, num total de 218 óbitos por acidente com fogos de artifício. A pasta ressalta que o uso de fogos de artifício pode provocar queimaduras, lesões com lacerações e cortes, amputações de membros, lesões de córnea ou perda da visão e lesões auditivas.
 
Fonte: Correio Braziliense

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